{"id":10282,"date":"2022-02-25T13:53:55","date_gmt":"2022-02-25T16:53:55","guid":{"rendered":"https:\/\/faracodeazevedo.com.br\/?p=10282"},"modified":"2022-02-25T13:53:56","modified_gmt":"2022-02-25T16:53:56","slug":"direito-fundamental-a-informacao-em-tempos-de-coronavirus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/faracodeazevedo.com.br\/index.php\/2022\/02\/25\/direito-fundamental-a-informacao-em-tempos-de-coronavirus\/","title":{"rendered":"DIREITO FUNDAMENTAL \u00c0 INFORMA\u00c7\u00c3O EM TEMPOS DE CORONAV\u00cdRUS"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"10282\" class=\"elementor elementor-10282\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-4aaad20e elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"4aaad20e\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-78aa7217\" data-id=\"78aa7217\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-35a778d5 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"35a778d5\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t<style>\/*! elementor - v3.19.0 - 29-01-2024 *\/\n.elementor-widget-text-editor.elementor-drop-cap-view-stacked .elementor-drop-cap{background-color:#69727d;color:#fff}.elementor-widget-text-editor.elementor-drop-cap-view-framed .elementor-drop-cap{color:#69727d;border:3px solid;background-color:transparent}.elementor-widget-text-editor:not(.elementor-drop-cap-view-default) .elementor-drop-cap{margin-top:8px}.elementor-widget-text-editor:not(.elementor-drop-cap-view-default) .elementor-drop-cap-letter{width:1em;height:1em}.elementor-widget-text-editor .elementor-drop-cap{float:left;text-align:center;line-height:1;font-size:50px}.elementor-widget-text-editor .elementor-drop-cap-letter{display:inline-block}<\/style>\t\t\t\t<h6 style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000;\">Luiz Eduardo Gunther<\/span><\/h6><h6 style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000;\">Marco Ant\u00f4nio C\u00e9sar Villatore<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><\/a><\/span><\/h6><h6 style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000;\">Andr\u00e9 Jobim de Azevedo<\/span><\/h6><p>\u00a0<\/p><p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><strong>1 Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Estamos no meio de um furac\u00e3o. O ano de 2020 se iniciou com grandes preocupa\u00e7\u00f5es relativamente ao v\u00edrus que vinha da China. Em pouco tempo espalhou-se pela Europa, Estados Unidos, tantos outros pa\u00edses e, finalmente, pelo Brasil.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">H\u00e1 uma contagem di\u00e1ria de infectados, de mortos e de quem sobreviveu \u00e0 COVID-19.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Quanto tempo teremos de conviver com os distanciamentos das pessoas e paralisa\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os, da atividade econ\u00f4mica, ningu\u00e9m sabe.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Chegamos no m\u00eas de abril e todas as consequ\u00eancias da pandemia reconhecida s\u00e3o enigmas a serem decifrados.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Dentro de um quadro de incertezas como o que vivemos, falar de informa\u00e7\u00e3o, do direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, do dever \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, e de assuntos correlatos, \u00e9 essencial para a sobreviv\u00eancia civilizada da nossa sociedade.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">O que significa a palavra informa\u00e7\u00e3o? E direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, como direito fundamental, o que de fato representa para n\u00f3s brasileiros?<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Antes das quest\u00f5es sem\u00e2nticas, pode-se buscar nas obras de fic\u00e7\u00e3o respostas para a preocupa\u00e7\u00e3o e o medo que nos assaltam diariamente. Muitas obras e autores descreveram distopias, tempos sombrios, e continuam atuais.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Na \u00e1rea do Direito do Trabalho um aspecto pouco lembrado \u00e9 a exig\u00eancia do direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e, tamb\u00e9m, do dever de informa\u00e7\u00e3o nas negocia\u00e7\u00f5es coletivas. Qual o papel das entidades sindicais, empresas e trabalhadores nesse tema da informa\u00e7\u00e3o quando se examinam quest\u00f5es laborais no tempo coletivo? Esse assunto tamb\u00e9m nos interessa muito.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><strong>2 O fen\u00f4meno da epidemia (e da pandemia!) \u00e0 luz das obras de fic\u00e7\u00e3o na literatura<\/strong><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Os grandes autores da literatura foram inspiradores de estudos em muitas \u00e1reas: da medicina \u00e0 engenharia, do direito \u00e0 cibern\u00e9tica, dentre outros tantos.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">O tempo que vivemos agora, onde as not\u00edcias cada vez s\u00e3o mais desencontradas, n\u00e3o h\u00e1 consensos, proliferam as <em>fake news<\/em> e tudo nos \u00e9 transmitido com velocidade, muitas vezes sem oportunidades para checar as fontes.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Nossa capacidade humana \u00e9 incapaz de absorver tantas informa\u00e7\u00f5es pela <em>internet<\/em>, <em>lives<\/em>, instagram e quejandos.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Temos direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o? Temos! Mas como separar o joio do trigo?<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Talvez, a dificuldade de acolher as informa\u00e7\u00f5es e reconhec\u00ea-las tenha nos levado ao mundo da fic\u00e7\u00e3o onde mundos sombrios s\u00e3o desenhados.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Pode-se destacar como maior exemplo dessa circunst\u00e2ncia, nesse momento cr\u00edtico, a lista dos livros mais vendidos no Brasil nos \u00faltimos dias. \u00c9 um fen\u00f4meno a ser verificado!<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Entre os dez livros mais vendidos de fic\u00e7\u00e3o em nosso pa\u00eds, durante o m\u00eas de abril<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, a metade trata de distopias. Vamos cit\u00e1-los: A Revolu\u00e7\u00e3o dos Bichos, de George Orwell; Fahrenheit 451, de Ray Bradbury; 1984, de George Orwell; Admir\u00e1vel Mundo Novo, de Aldous Huxley; O Amor nos Tempos de C\u00f3lera, de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez (este \u00faltimo com vi\u00e9s de epidemia). Parece incr\u00edvel, mas as nossas preferencias liter\u00e1rias voltaram-se aos livros do passado. H\u00e1 alguma coisa a ser verificada a\u00ed, um sintoma&#8230;<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Peste, epidemia, ou at\u00e9 pandemia, n\u00e3o \u00e9, de fato, novidade na literatura. Como destaca Vinicius Torres Freire: \u201cdesde a Gr\u00e9cia Antiga, passando por Boccaccio e Camus, narrativas cl\u00e1ssicas tematizam epidemias e os dilemas morais com que o mundo se depara em situa\u00e7\u00f5es de calamidade, como estamos vendo agora\u201d. <a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">S\u00e3o dignos de men\u00e7\u00e3o aqui dois livros, de Daniel Defoe e Albert Camus. O primeiro, publicou o \u201cJornal do Ano da Peste\u201d em 1722, um di\u00e1rio fict\u00edcio em primeira pessoa da praga na Londres de 1665, \u201crelato jornal\u00edstico vivo, chocante e cheio de estat\u00edsticas e medidas oficiais, motivado pela peste de Marselha de 1720\u201d.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">O romance \u201cA Peste\u201d de Albert Camus, publicado em 1947, \u201calterna cr\u00f4nica realista e medita\u00e7\u00f5es a respeito da vida sob a epidemia, na verdade sob alguma grande opress\u00e3o\u201d.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o h\u00e1, por\u00e9m, como se agarrar aos livros de fic\u00e7\u00e3o quando a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) declara \u201cque h\u00e1 uma pandemia do coronav\u00edrus Sars-Cov-2 com a dissemina\u00e7\u00e3o por mais de cem pa\u00edses em todos os continentes\u201d. <a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Para o Direito (e os juristas em especial&#8230;) resta a an\u00e1lise do impacto social dessa pandemia e da regula\u00e7\u00e3o jur\u00eddica adequada.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Dentre as tantas alternativas poss\u00edveis e imagin\u00e1veis, o respeito ao direito fundamental \u00e0 informa\u00e7\u00e3o \u00e9, sem d\u00favida, uma das mais importantes.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><strong>3 O significado do voc\u00e1bulo \u201cinforma\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">A palavra informa\u00e7\u00e3o \u00e9 poliss\u00eamica, por isso a necessidade de precisar o seu sentido sempre que a utilizarmos.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Em uma vis\u00e3o filos\u00f3fica, podem-se detectar duas vertentes de interpreta\u00e7\u00e3o. A primeira, como a\u00e7\u00e3o e efeito de informar, que, na linguagem escol\u00e1stica, \u00e9 dar uma forma a uma mat\u00e9ria. A segunda, o emprego, na linguagem comum, para indicar o ato pelo qual se faz conhecer alguma coisa a algu\u00e9m.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Na engenharia, a teoria da informa\u00e7\u00e3o trata da transmiss\u00e3o de sinais eletromagn\u00e9ticos por fios ou atrav\u00e9s do espa\u00e7o. O termo \u201cinforma\u00e7\u00e3o\u201d transbordou da engenharia, contaminando primeiro a biologia (a gen\u00e9tica), depois a bioqu\u00edmica (a biologia molecular), a psicologia, a sociologia e assim por diante. Em cada um desses casos, \u00e0 palavra informa\u00e7\u00e3o foi tacitamente atribu\u00eddo um significado diferente. Foram feitas, pela sem\u00e2ntica numerosas tentativas de elucidar o significado (o conceito da palavra informa\u00e7\u00e3o). Todas elas malograram por duas raz\u00f5es: a) quantidade e conte\u00fado da informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e3o relacionados; b) o significado n\u00e3o est\u00e1 relacionado com o conceito de probabilidade objetiva que ocorre na teoria da informa\u00e7\u00e3o.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Na inform\u00e1tica e internet usa-se a palavra inglesa <em>information<\/em> para conceituar tudo que significa not\u00edcia, conhecimento ou comunica\u00e7\u00e3o.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">A evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica legou-nos a informa\u00e7\u00e3o pelo tel\u00e9grafo, pelo r\u00e1dio, pelo telefone, pelo celular. Agora falamos, ouvimos e vemos as pessoas com as quais nos comunicamos. Podemos fazer isso n\u00e3o apenas com o nosso interlocutor, mas tamb\u00e9m com mais pessoas, por teleconfer\u00eancias. A informa\u00e7\u00e3o pode ser compartilhada entre muitas pessoas ao mesmo tempo por som e imagem.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Existem tend\u00eancias e express\u00f5es que definir\u00e3o nosso comportamento. O Dicion\u00e1rio do Futuro menciona a palavra <em>telearmazenamento<\/em>, significando que companhias telef\u00f4nicas disponibilizar\u00e3o aos seus clientes maci\u00e7os recursos de armazenamento em discos r\u00edgidos, com a tecnologia de reconhecimento de voz para armazenamento de conversas, de forma digital e permanente, que poder\u00e3o ser recuperadas a qualquer momento.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Por esse prisma, considera-se uma teoria da informa\u00e7\u00e3o e uma tecnologia da informa\u00e7\u00e3o. Tornou-se poss\u00edvel, como sabemos, digitalizar a informa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da linguagem comum do c\u00f3digo bin\u00e1rio, voz, dados e v\u00eddeo puderam tornar-se fluxos de informa\u00e7\u00e3o digitalizada, capaz de ser armazenada, manipulada e transmitida de forma barata e em grande velocidade pelos computadores digitais. Simultaneamente, a ind\u00fastria eletr\u00f4nica da computa\u00e7\u00e3o e a das telecomunica\u00e7\u00f5es convergiram para se tornarem uma ind\u00fastria global de informa\u00e7\u00e3o.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">O recurso ao Dicion\u00e1rio Aur\u00e9lio nos auxilia a saber que a palavra informa\u00e7\u00e3o veio do latim <em>informatione<\/em>, que significa dados acerca de algu\u00e9m ou de algo. Tamb\u00e9m representa uma comunica\u00e7\u00e3o ou not\u00edcia trazida ao conhecimento de uma pessoa ou do p\u00fablico. Quanto \u00e0 teoria da informa\u00e7\u00e3o, segundo o Dicion\u00e1rio, constitui \u201cmedida da redu\u00e7\u00e3o da incerteza, sobre um determinado estado de coisas, por interm\u00e9dio de uma mensagem\u201d.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Ao analisar a sociedade em rede, Manuel Castells explicita como se caracteriza o ser na sociedade informacional. Segundo ele, os primeiros passos hist\u00f3ricos das sociedades informacionais parecem caracteriz\u00e1-las pela preemin\u00eancia da identidade como seu princ\u00edpio organizacional. Esclarece o autor que considera como identidade o processo pelo qual um ator social se reconhece e constr\u00f3i significado \u201cprincipalmente com base em determinado atributo cultural ou conjunto de atributos, a ponto de excluir uma refer\u00eancia mais ampla a outras estruturas sociais\u201d.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Em seu trabalho mais conhecido, denominado \u201cO Pr\u00edncipe\u201d, Nicolau Maquiavel comparou a tuberculose (t\u00edsica) aos problemas do Estado, com uma argumenta\u00e7\u00e3o peculiar:<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Da t\u00edsica dizem os m\u00e9dicos que, a princ\u00edpio, \u00e9 f\u00e1cil de curar e dif\u00edcil de conhecer, mas com o correr dos tempos, se n\u00e3o foi reconhecida e medicada, torna-se f\u00e1cil de conhecer e dif\u00edcil de curar. Assim se d\u00e1 com as coisas do Estado: conhecendo-se os males com anteced\u00eancia, o que n\u00e3o \u00e9 dado sen\u00e3o aos homens prudentes, rapidamente s\u00e3o curados: mas quando, por se terem ignorado, se t\u00eam deixado aumentar, a ponto de serem conhecidos de todos, n\u00e3o haver\u00e1 mais rem\u00e9dio \u00e0queles males\u201d.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Perdoada a agudeza da constata\u00e7\u00e3o, Maquiavel, sem d\u00favida, estava falando da preven\u00e7\u00e3o, tanto da doen\u00e7a como dos problemas do Estado. Como saber dos problemas que est\u00e3o ocorrendo ao seu in\u00edcio? Muito dif\u00edcil, dependem de percep\u00e7\u00e3o, constata\u00e7\u00e3o e poder\u00edamos acrescentar informa\u00e7\u00e3o. Quando a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 precisa, antecipada, auxilia no reconhecimento do problema e ajuda a encontrar a solu\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">O que aconteceu com a COVID-19? Demoraram as informa\u00e7\u00f5es, que nem sempre foram apresentadas de forma correta, e instalou-se a pandemia, com uma rapidez incr\u00edvel.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><strong>4 A liberdade de informa\u00e7\u00e3o e o direito fundamental \u00e0 informa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Liberdade de informa\u00e7\u00e3o, ou liberdade de emiss\u00e3o de pensamento n\u00e3o significa a mesma coisa que direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Pontes de Miranda considerava a liberdade de emiss\u00e3o do pensamento essencial \u00e0 intelig\u00eancia humana, \u00e0 vida efetiva e \u00e0 vida social. No primeiro caso, porque se confessa a d\u00favida, ou se discute o de que se duvida, comunica-se o que se sabe e se submete aos outros o que se pensa ser certo e talvez n\u00e3o o seja. No segundo, porque se dizem os sentimentos e se ouve quanto aos dos outros. Terceiro, porque sem ele n\u00e3o h\u00e1 o contato de uns com os outros, para a coopera\u00e7\u00e3o, a a\u00e7\u00e3o prevista e as cria\u00e7\u00f5es ou realiza\u00e7\u00f5es de toda ordem.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Ao realizar a exegese do inciso XIV, do artigo 5\u00ba., da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Federativa do Brasil, Alcino Pinto Falc\u00e3o destaca que elevar a garantia expressa na Carta Magna foi novidade oportuna, mas esclarece que o inciso tratou de duas situa\u00e7\u00f5es distintas. No mesmo dispositivo colocou: a) de um lado, uma franquia, que cabe aos cidad\u00e3os em geral; b) e de outro, o sigilo da fonte, quando necess\u00e1rio ao exerc\u00edcio profissional adequado \u00e0 liberdade de imprensa.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Na mesma obra, o autor citado afirma ser o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o uma modalidade de qualquer particular, que paga impostos \u2013 e todos, diretos ou indiretos a eles, pelo nosso regime est\u00e3o sujeitos. Trata-se, pois, de uma modalidade de participar e de fiscalizar o andamento da coisa p\u00fablica. Considera o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o inegavelmente um apan\u00e1gio do regime democr\u00e1tico, qui\u00e7\u00e1 seu mais importante atributo.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">A Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica portuguesa, de 1976, bem soube distinguir e regular o tema. No art. 37, n. 1, p\u00f4s a garantia de que goza qualquer cidad\u00e3o portugu\u00eas; no art. 38, n. 3, outorgou a prerrogativa do sigilo profissional aos jornalistas, como corol\u00e1rio do seu direito ao acesso \u00e0s fontes de informa\u00e7\u00e3o inerente \u00e0 profiss\u00e3o e para que esta possa ser exercida com independ\u00eancia e eficazmente.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Disp\u00f5e o artigo 37, que trata da liberdade de express\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o, da Constitui\u00e7\u00e3o de Portugal, no seu item 1:<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Todos t\u00eam o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discrimina\u00e7\u00f5es.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">O item 3 do art. 38, da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica portuguesa, versa sobre a liberdade de imprensa e meios de comunica\u00e7\u00e3o social:<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">A liberdade de imprensa implica o direito dos jornalistas, nos termos da lei, ao acesso \u00e0s fontes de informa\u00e7\u00e3o e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia e do sigilo profissionais, bem como o direito de elegerem conselhos de reda\u00e7\u00e3o.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Para o escopo deste texto interessa apenas a an\u00e1lise do art. 37, 1, onde s\u00e3o reconhecidos dois direitos (ou conjunto de direitos) distintos, embora concorrentes: o direito de express\u00e3o do pensamento e o direito de informa\u00e7\u00e3o. Quanto ao primeiro, consiste no direito de n\u00e3o ser impedido de exprimir-se. A liberdade de express\u00e3o \u00e9 uma componente da cl\u00e1ssica liberdade de pensamento, que tem outras dimens\u00f5es na liberdade de cria\u00e7\u00e3o cultural, na liberdade de consci\u00eancia e de culto, na liberdade de aprender e ensinar e, em certa medida, na liberdade de reuni\u00e3o e manifesta\u00e7\u00e3o.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Especificamente importa a este estudo esclarecer como os portugueses compreendem o chamado direito de informa\u00e7\u00e3o, que integra tr\u00eas n\u00edveis: o direito de informar, o de se informar e o direito de ser informado.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">O <strong>direito de informar<\/strong> consiste na liberdade de transmitir ou comunicar informa\u00e7\u00f5es a outrem, de as difundir sem impedimentos, mas pode tamb\u00e9m revestir uma forma positiva, enquanto direito de informar, ou seja, direito a meios para informar.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">O <strong>direito de se informar<\/strong> consiste na liberdade de recolha de informa\u00e7\u00e3o, de procura de fontes de informa\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, no direito de n\u00e3o ser impedido de se informar.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">O <strong>direito a ser informado<\/strong> \u00e9 a vers\u00e3o positiva do direito de se informar, consistindo num direito de ser mantido adequadamente e verdadeiramente informado, desde logo, pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o e pelos poderes p\u00fablicos.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">A liberdade de informa\u00e7\u00e3o, segundo ensina Jos\u00e9 Afonso da Silva, compreende a liberdade de informar e a liberdade de ser informado. A primeira coincide com a liberdade de manifesta\u00e7\u00e3o do pensamento pela palavra, por escrito, ou por qualquer outro meio de difus\u00e3o; a segunda indica o interesse sempre crescente da coletividade para que, tanto os indiv\u00edduos como a comunidade, estejam informados para o exerc\u00edcio consciente das liberdades p\u00fablicas.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">H\u00e1 que se fazer distin\u00e7\u00e3o entre liberdade de informa\u00e7\u00e3o e direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. A <strong>liberdade de informa\u00e7\u00e3o <\/strong>compreende a procura, o acesso, o recebimento e a difus\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es ou ideias, por qualquer meio, e sem depend\u00eancia de censura, respondendo cada qual pelos abusos que cometer. Quanto ao <strong>acesso de todos \u00e0 informa\u00e7\u00e3o<\/strong> \u00e9 um direito individual consignado na Constitui\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m resguarda o sigilo da fonte, quando necess\u00e1rio ao exerc\u00edcio profissional.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">O direito de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o protege, segundo Wilson Steinmetz, as a\u00e7\u00f5es ou condutas de procura, levantamento, consulta, pesquisa, coleta ou recebimento de informa\u00e7\u00f5es. A pessoa tem um direito a que os Poderes P\u00fablicos e, em certos casos, tamb\u00e9m os particulares n\u00e3o obstaculizem ou impe\u00e7am essas a\u00e7\u00f5es. Trata-se de um direito de defesa na li\u00e7\u00e3o desse autor, apresentando a seguinte exemplifica\u00e7\u00e3o: um hospital privado que negar ao paciente acesso ao teor de seu prontu\u00e1rio cl\u00ednico estar\u00e1 violando o direito fundamental de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o se pode olvidar, tamb\u00e9m, da contribui\u00e7\u00e3o que esse direito d\u00e1 para preservar e desenvolver o pluralismo pol\u00edtico (art. 1, V), e, por consequ\u00eancia, o regime democr\u00e1tico. Assim, o direito fundamental de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o contribui para a livre forma\u00e7\u00e3o das ideias, opini\u00f5es, avalia\u00e7\u00f5es, convic\u00e7\u00f5es e cren\u00e7as da pessoa sobre assuntos ou quest\u00f5es de interesse p\u00fablico, relativos ao Estado e \u00e0 sociedade civil, e de interesse individual ou de grupo, e tamb\u00e9m para o livre, consciente e respons\u00e1vel desenvolvimento da personalidade.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Nessa linha de entendimento, Ingo Wolfgang Sarlet e Carlos Alberto Molinaro asseveram:<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">O direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o (subjacente a liberdade \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, modal pol\u00edtico que o alimenta) \u00e9 um direito de defesa de modo que seu titular n\u00e3o seja impedido de emitir ou difundir suas ideias, ideais, opini\u00f5es, sentimentos ou conhecimentos, quando opera como direito subjetivo, individual ou coletivo.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">No que diz respeito \u00e0 sua dimens\u00e3o objetiva, todavia, segundo esses mesmos autores, o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o postula presta\u00e7\u00f5es, tanto de natureza informacional, quanto no \u00e2mbito dos deveres estatais de prote\u00e7\u00e3o, mediante a edi\u00e7\u00e3o de normas de cunho procedimental e organizacional, vinculando todos os \u00f3rg\u00e3os estatais, notadamente os jurisdicionais aos quais est\u00e1 deferido o cuidado para a concretiza\u00e7\u00e3o dos direitos e interesses postos em causa.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Apresentamos, explicamos, neste item, em linhas gerais, os significados das terminologias liberdade de express\u00e3o e direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, com seus importantes desdobramentos.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Adentra-se agora ao exame do impacto que o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o (e seu correlato dever \u00e0 informa\u00e7\u00e3o!) gera em momento de pandemia nas negocia\u00e7\u00f5es coletivas de trabalho.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><strong>5 O direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e o dever de informar nas negocia\u00e7\u00f5es coletivas de trabalho<\/strong><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o h\u00e1 qualquer d\u00favida que, no capitalismo, as negocia\u00e7\u00f5es coletivas de trabalho devem n\u00e3o s\u00f3 ser reconhecidas, mas tamb\u00e9m incentivadas. Consideram-se oportunidades importantes em que os entes coletivos que representam os trabalhadores (entidades sindicais obreiras) podem sentar-se \u00e0 mesa de negocia\u00e7\u00e3o e discutirem, de igual para igual, com os entes coletivos empresariais (empresas, sindicatos patronais), a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de trabalho dentro da empresa.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 poss\u00edvel reconhecer na doutrina do Direito Coletivo do Trabalho o princ\u00edpio do direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o como um dos mais relevantes.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Jo\u00e3o de Lima Teixeira Filho registra princ\u00edpios marcantes das negocia\u00e7\u00f5es coletivas, ressaltando que esse rol n\u00e3o exclui a exist\u00eancia de outros. Os princ\u00edpios que reconhece como devidos \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o coletiva s\u00e3o os seguintes: inescusabilidade negocial; boa-f\u00e9; direito de informa\u00e7\u00e3o; razoabilidade e paz social. Ao tratar do direito de informa\u00e7\u00e3o, como princ\u00edpio da negocia\u00e7\u00e3o coletiva, assevera que \u201ca informa\u00e7\u00e3o faz parte da natureza mesma do processo de entendimento\u201d.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a> Como esclarece o autor no seu texto, para que a pauta de reivindica\u00e7\u00f5es possa ser adequadamente formulada, \u201cos pleitos devem ser substanciados a fim de permitir a compreens\u00e3o de suas raz\u00f5es, contrapostas, ou esclarecimentos, e dar in\u00edcio \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o\u201d.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\">[28]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Ao lado de um direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel, tamb\u00e9m, falar em um dever de informa\u00e7\u00e3o. Segundo esse princ\u00edpio (dever de informa\u00e7\u00e3o) as partes se prestar\u00e3o reciprocamente as informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias \u00e0 justifica\u00e7\u00e3o de suas propostas e respostas. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que o princ\u00edpio interessa mais \u00e0 representa\u00e7\u00e3o dos empregados, pois esta habitualmente sente forte car\u00eancia de dados a respeito da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, financeira e comercial da empresa. Naturalmente surgem resist\u00eancias patronais, \u201cmas as informa\u00e7\u00f5es pertinentes, direta ou indiretamente, \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podem ser negadas sem que se caracterize m\u00e1-f\u00e9 do negociador\u201d.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[29]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Esse dever de informa\u00e7\u00e3o pela empresa e direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o pelos empregados, quando da negocia\u00e7\u00e3o coletiva, deve ser melhor explicitado. Parece sensato que sejam conhecidas as reais condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas-financeiras da empresa ou dados do segmento econ\u00f4mico e sua capacidade de conceder determinados pleitos que os representados julgam cab\u00edveis. Entretanto, essas informa\u00e7\u00f5es devem ser prestadas n\u00e3o apenas nos momentos de dificuldade financeira (para gerar medidas de supera\u00e7\u00e3o da crise via negocia\u00e7\u00e3o coletiva), mas, tamb\u00e9m, sempre, nas \u00e9pocas de prosperidade. Dois cuidados devem ser tomados a esse respeito, por\u00e9m: a) n\u00e3o \u00e9 cr\u00edvel o empregador adotar atitude de recusa \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es escudando-se em informa\u00e7\u00f5es pretensamente secretas; b) mas, tamb\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que informa\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas possam colocar a empresa em risco a pretexto de terem que ver com o processo negocial.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\">[30]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">A Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho, sobre essa tem\u00e1tica, editou a Recomenda\u00e7\u00e3o n. 163, \u201cSobre a Promo\u00e7\u00e3o da Negocia\u00e7\u00e3o Coletiva\u201d (art. 7.2.a), na qual estabelece que os empregadores, a pedido da organiza\u00e7\u00e3o de trabalhadores, devem p\u00f4r \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o informa\u00e7\u00f5es sobre a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social da unidade negociadora e da empresa em geral, se necess\u00e1rias, para negocia\u00e7\u00f5es significativas. Portanto, essas informa\u00e7\u00f5es devem ser <strong>necess\u00e1rias<\/strong>. Por outro lado, pode-se exigir a <strong>confidencialidade<\/strong> da informa\u00e7\u00e3o, isto \u00e9: \u201cno caso de vir a ser prejudicial \u00e0 empresa a revela\u00e7\u00e3o de parte dessas informa\u00e7\u00f5es, sua comunica\u00e7\u00e3o pode ser condicionada ao compromisso de que ser\u00e1 tratada como confidencial na medida do necess\u00e1rio\u201d.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\">[31]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Como assinala, com precis\u00e3o, Jo\u00e3o de Lima Teixeira Filho, a informa\u00e7\u00e3o deve guardar pertin\u00eancia \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o e \u00e0s mat\u00e9rias que nesse campo ser\u00e3o debatidas, e \u201co direito de informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode servir de escape para, de alguma maneira, frustrar o entendimento direto.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref32\">[32]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">O Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da Reparti\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho da OIT, em 1977 (com a emenda de 2000), adotou a Declara\u00e7\u00e3o Tripartite de Princ\u00edpios sobre as Empresas Multinacionais e a Pol\u00edtica Social. No t\u00edtulo que trata da negocia\u00e7\u00e3o coletiva, item 7, sugere \u00e0s empresas multinacionais (deveriam!):<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">proporcionar aos representantes dos trabalhadores as informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o de negocia\u00e7\u00f5es eficazes com a entidade em quest\u00e3o e, de conformidade com a legisla\u00e7\u00e3o e as pr\u00e1ticas locais, deveriam tamb\u00e9m proporcionar informa\u00e7\u00f5es para que os trabalhadores possam dispor de dados adequados e fidedignos sobre as atividades da unidade em que trabalham ou, quando apropriado, do conjunto da empresa.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn33\" name=\"_ftnref33\">[33]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Digna de men\u00e7\u00e3o, ainda, \u00e9 a Recomenda\u00e7\u00e3o n. 129, da OIT, sobre as comunica\u00e7\u00f5es entre a dire\u00e7\u00e3o e os trabalhadores dentro da empresa, de 1967. Merece especial aten\u00e7\u00e3o o artigo 15.1, ao estabelecer que as informa\u00e7\u00f5es sejam fornecidas pela dire\u00e7\u00e3o deveriam dirigir-se, segundo sua natureza, aos representantes dos trabalhadores e aos membros do pessoal, e compreender, na medida do poss\u00edvel, todas as quest\u00f5es de interesse para os trabalhadores que se refiram \u00e0 marcha e perspectivas futuras da empresa e \u00e0 situa\u00e7\u00e3o presente e futura dos trabalhadores, na medida em que a revela\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o cause preju\u00edzo \u00e0s partes.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn34\" name=\"_ftnref34\">[34]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Em disserta\u00e7\u00e3o apresentada ao Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia, em mar\u00e7o de 2011, \u00cdcaro de Souza Duarte estudou o tema do \u201creconhecimento do direito de informa\u00e7\u00e3o na negocia\u00e7\u00e3o coletiva como decorr\u00eancia da aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio do da boa-f\u00e9 objetiva.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn35\" name=\"_ftnref35\">[35]<\/a> Nesse importante estudo, o autor procurou evidenciar o reconhecimento do direito de informa\u00e7\u00e3o na negocia\u00e7\u00e3o coletiva como decorr\u00eancia da aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da boa-f\u00e9 objetiva. Tanto trabalhadores quanto empregadores necessitam, no \u00e2mbito da negocia\u00e7\u00e3o coletiva, informa\u00e7\u00f5es sobre os fatos e acontecimentos que se relacionam aos interlocutores sociais, para que a negocia\u00e7\u00e3o seja frut\u00edfera. A elabora\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias e o manejo de argumentos racionais e l\u00f3gicos dependem do dom\u00ednio e conhecimento adequado dos temas e mat\u00e9rias objeto da negocia\u00e7\u00e3o, para as quais \u00e9 vital a informa\u00e7\u00e3o.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn36\" name=\"_ftnref36\">[36]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Considera-se, assim, que o princ\u00edpio da boa-f\u00e9 objetiva representa fonte origin\u00e1ria do dever de informar, atuando nas fases pr\u00e9-contratual, de execu\u00e7\u00e3o contratual e p\u00f3s-contratual, garantindo, dessa forma, o exerc\u00edcio de liberdade negocial entre o sindicato profissional e determinada empresa ou grupo de empresas, ou mesmo o sindicato econ\u00f4mico da categoria. Torna-se desse modo inquestion\u00e1vel afirmar-se que o dever de informa\u00e7\u00e3o possibilita uma negocia\u00e7\u00e3o mais justa, consciente, \u201cque protege a sa\u00fade, a integridade, a seguran\u00e7a da categoria de trabalhadores envolvida, e direciona para as consequ\u00eancias econ\u00f4micas que a rela\u00e7\u00e3o laboral pode acarretar, isto \u00e9, melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, com a certeza de que se fez a melhor negocia\u00e7\u00e3o.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn37\" name=\"_ftnref37\">[37]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Em tempos de pandemia do novo coronav\u00edrus fica evidente o quanto \u00e9 importante aplicar-se o princ\u00edpio do direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, com seu correspondente dever de informa\u00e7\u00e3o. No \u00e2mbito das negocia\u00e7\u00f5es coletivas, como se pode assinalar, o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para a continuidade empresarial e preserva\u00e7\u00e3o dos empregos, atentando-se para a fun\u00e7\u00e3o social da propriedade, do contrato e da empresa.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Vamos agora analisar o impacto jur\u00eddico que a pandemia do coronav\u00edrus gera na prote\u00e7\u00e3o dos dados e no direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><strong>6 A prote\u00e7\u00e3o de dados e o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o em tempos de coronav\u00edrus<\/strong><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Ao estudarmos o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, em nossos dias, surge como um tema essencial a prote\u00e7\u00e3o de dados. Essa express\u00e3o surge simultaneamente com a evolu\u00e7\u00e3o da tecnologia, que passa a captar, guardar e difundir informa\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s da internet, computadores e celulares, por exemplo.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">No Brasil, em 2018, editou-se a Lei n. 13.709, denominada \u201cLei Geral de Prote\u00e7\u00e3o de Dados Pessoais \u2013 LGPD\u201d, que disp\u00f5e sobre o tratamento de dados pessoais, inclusive nos meios digitais, por pessoa natural ou pessoa jur\u00eddica de direito p\u00fablico ou privado, com os objetivos expressos de proteger: a) os direitos fundamentais de liberdade e de privacidade; b) e o livre desenvolvimento da personalidade da pessoa natural.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn38\" name=\"_ftnref38\">[38]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Na obra \u201c21 li\u00e7\u00f5es para o S\u00e9culo 21\u201d, Yuval Noah Harari afirma, no cap\u00edtulo que trata do tema da igualdade, que os danos dos dados s\u00e3o os donos do futuro e indaga: quem \u00e9 o dono dos dados? Assevera que, se quisermos evitar a concentra\u00e7\u00e3o de toda riqueza e de todo o poder nas m\u00e3os de uma pequena elite, a chave \u00e9 regulamentar a propriedade dos dados. Em sua opini\u00e3o, no s\u00e9culo XXI os dados v\u00e3o suplantar tanto a terra quanto a maquinaria como o ativo mais importante, e a pol\u00edtica ser\u00e1 o esfor\u00e7o por controlar o fluxo de dados. Se os dados se concentrarem em poucas m\u00e3os, o g\u00eanero humano se dividir\u00e1 em esp\u00e9cies diferentes.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn39\" name=\"_ftnref39\">[39]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Pode-se inferir desse pensamento que a desigualdade entre as pessoas poder\u00e1 se acentuar ainda mais, se provid\u00eancias n\u00e3o forem tomadas quanto ao controle de dados.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Como se pode entender aquilo que se denomina \u201cprote\u00e7\u00e3o de dados\u201d? Segundo Stefano Rodot\u00e1, prote\u00e7\u00e3o de dados \u00e9 uma express\u00e3o de liberdade e dignidade pessoais, e como tal, n\u00e3o se deve tolerar que um dado seja usado de modo a transformar um indiv\u00edduo em objeto sob vigil\u00e2ncia constante.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn40\" name=\"_ftnref40\">[40]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Como podem classificar-se as t\u00e9cnicas de controle das mensagens? Segundo Pierre L\u00e9vy, em seu livro \u201cA intelig\u00eancia Coletiva\u201d, essas t\u00e9cnicas podem classificar-se em tr\u00eas grupos principais: som\u00e1ticas, midi\u00e1ticas e digitais. As <strong>t\u00e9cnicas som\u00e1ticas<\/strong> implicam a presen\u00e7a efetiva, o engajamento, a energia e a sensibilidade do corpo para a produ\u00e7\u00e3o de signos. As <strong>tecnologias midi\u00e1ticas<\/strong> fixam e reproduzem as mensagens a fim de assegurar-lhes maior alcance, melhor difus\u00e3o no tempo e espa\u00e7o. O <strong>sistema digital<\/strong> autoriza a fabrica\u00e7\u00e3o de mensagens, sua modifica\u00e7\u00e3o e mesmo a intera\u00e7\u00e3o com elas, \u00e1tomo de informa\u00e7\u00e3o por \u00e1tomo de informa\u00e7\u00e3o, <em>bit <\/em>por <em>bit<\/em>.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn41\" name=\"_ftnref41\">[41]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">A express\u00e3o modernidade l\u00edquida, cunhada por Zygmunt Bauman, serviu-lhe para falar tamb\u00e9m sobre a vigil\u00e2ncia l\u00edquida. Explicita esse ator que, muitas vezes essa vigil\u00e2ncia ocorre pela necessidade que as pessoas t\u00eam de se fazerem notar. Numa frase famosa, Hegel definiu a liberdade como uma necessidade aprendida e reconhecida. A paix\u00e3o por se fazer registrar \u00e9 um exemplo importante, talvez o mais gritante, dessa regra hegeliana em nossos tempos, nos quais a vers\u00e3o atualizada e ajustada do <strong>cogito<\/strong> de Descartes seria \u201csou visto (observado, notado, registrado), logo existo\u201d. Conforme a interpreta\u00e7\u00e3o desse autor:<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">A internet veio para substituir o trabalho e erguer-se e sair da invisibilidade e do esquecimento, e assim reivindicar um lugar num mundo reconhecidamente estranho e in\u00f3spito, quebrando garrafas ou gargalos.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn42\" name=\"_ftnref42\">[42]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Nesse tema de prote\u00e7\u00e3o dos dados, normalmente ingressa o consentimento dos interessados, sua necessidade e limites, e, tamb\u00e9m, o controle das pr\u00f3prias informa\u00e7\u00f5es. Stefano Rodot\u00e1 assinala que o problema dos excessos na coleta de informa\u00e7\u00f5es e dos abusos na sua utiliza\u00e7\u00e3o pode ser enfrentado com t\u00e9cnicas que n\u00e3o confiem somente no consentimento dos interessados. Na sociedade da informa\u00e7\u00e3o, de maneira geral, tendem a prevalecer defini\u00e7\u00f5es funcionais da privacidade que, de diversas formas, fazem refer\u00eancia \u00e0 possibilidade de um sujeito conhecer, controlar, endere\u00e7ar e interromper o fluxo das informa\u00e7\u00f5es a ele relacionadas. Assim a privacidade pode ser defendida, mais precisamente, como o direito de manter o controle sobre as pr\u00f3prias informa\u00e7\u00f5es.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn43\" name=\"_ftnref43\">[43]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Na \u00e9poca em que vivemos, intensamente, os reflexos da pandemia do coronav\u00edrus, como pode-se dar a prote\u00e7\u00e3o dos dados? Segundo Danilo Doneda, o papel das legisla\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o de dados na garantia de liberdades individuais e coletivas ganha relev\u00e2ncia fundamental, diante do risco de que novos usos de dados derivem para interesses n\u00e3o relacionados ao combate \u00e0 doen\u00e7a. Para esse estudioso do tema:<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Em uma crise aguda como a da atual pandemia do covid-19, os dados pessoais s\u00e3o elementos essenciais para modelar e executar pol\u00edticas p\u00fablicas de conten\u00e7\u00e3o e controle do v\u00edrus, bem como para tornar poss\u00edvel que a pesquisa cient\u00edfica proporcione os melhores resultados no menor per\u00edodo de tempo.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn44\" name=\"_ftnref44\">[44]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Deve-se fazer, contudo, um importante alerta, na esteira do que disse Gabriela Zanfir-Fortuna, especialista em prote\u00e7\u00e3o de dados, ao Jornal Folha de S\u00e3o Paulo, em entrevista recente. Segundo ela, o combate \u00e0 Covid-19 criar\u00e1 sociedade rastreada como nunca. Por isso considera que existem muitos riscos e preocupa\u00e7\u00f5es. Como, por exemplo, garantir que informa\u00e7\u00f5es recolhidas por aplicativos nesse momento ser\u00e3o usadas para o fim espec\u00edfico de mitigar a pandemia? Segundo seus estudos, h\u00e1 precedentes de casos em que os dados foram usados para outros fins: os governos podem monitorar imigra\u00e7\u00f5es e fluxo de pessoas, por exemplo, o que fugiria do prop\u00f3sito de mitigar a propaga\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn45\" name=\"_ftnref45\">[45]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Uma situa\u00e7\u00e3o que vem ocorrendo no Brasil, nesse momento, \u00e9 o uso de dados dos celulares para verificar quem est\u00e1 em casa ou n\u00e3o. Pergunta-se ent\u00e3o: podem os Estados, e os Munic\u00edpios, rastrear dados de celulares para monitorar aglomera\u00e7\u00f5es? O argumento principal usado a favor dessa utiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 que os dados disponibilizados pela empresa s\u00e3o an\u00f4nimos e que h\u00e1 respeito pela privacidade individual das pessoas. Posicionamentos jur\u00eddicos contr\u00e1rios, por\u00e9m, entendem que seria uma viola\u00e7\u00e3o \u00e0 intimidade do cidad\u00e3o, pois \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e empresas privadas n\u00e3o poderiam invadir setor onde est\u00e1 este ou aquele celular. N\u00e3o h\u00e1, presentemente, consenso sobre o tema, o que dever\u00e1 ocorrer em breve, j\u00e1 que h\u00e1 judicializa\u00e7\u00e3o desse assunto.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn46\" name=\"_ftnref46\">[46]<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Parece inquestion\u00e1vel que o impacto da pandemia do coronav\u00edrus tamb\u00e9m ser\u00e1 grande na \u00e1rea da coleta dos dados e da sua prote\u00e7\u00e3o. Dada a urg\u00eancia de necessidade de decis\u00e3o judicial a esse respeito, para assegurar seguran\u00e7a jur\u00eddica, talvez tenhamos em breve posicionamento do Supremo Tribunal Federal, que j\u00e1 vem julgando pelo sistema virtual.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><span style=\"color: #000000;\">BARONE, Isabelle; DESIDERI, Leonardo. Estados usam dados de celulares para monitorar aglomera\u00e7\u00f5es. Eles podem fazer isso? <strong>Gazeta do Povo<\/strong>, 13.04.2020.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">BAUMAN, Zygmunt. <strong>Vigil\u00e2ncia l\u00edquida.<\/strong> Tradu\u00e7\u00e3o Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zohar, 2013.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">BERNARDES, Hugo Gueiros. Princ\u00edpios da negocia\u00e7\u00e3o coletiva. <em>In <\/em>TEIXEIRA FILHO, Jo\u00e3o de Lima (Coord.). <strong>Rela\u00e7\u00f5es coletivas de trabalho<\/strong>: estudos em homenagem ao Ministro Arnaldo S\u00fcssekind. S\u00e3o Paulo: LTr, 1989. p. 357-370.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">BUNGE, Mario. <strong>Dicion\u00e1rio da Filosofia.<\/strong> Tradu\u00e7\u00e3o Gita K. Guinsburg. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 2002.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">CANOTILHO, J. J. Gomes; MOREIRA, Vital. <strong>Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Portuguesa Anotada. <\/strong>2. ed. rev. ampl. Coimbra: Coimbra Editora, 1984. v. 1.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">CASTELLS, Manuel. <strong>A Sociedade em Rede<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o Roneide Venancio Majer. S\u00e3o Paulo: Paz e Terra, 1999.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">DONEDA, Danilo. A prote\u00e7\u00e3o de dados em tempo de coronav\u00edrus. Revista Eletr\u00f4nica <strong>JOTA<\/strong>, de 25.03.2020. Dispon\u00edvel em&lt; <a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.jota.info\/opiniao-e-analise\/artigos\/a-protecao-de-dados-em-tempos-de-coronavirus-25032020\">https:\/\/www.jota.info\/opiniao-e-analise\/artigos\/a-protecao-de-dados-em-tempos-de-coronavirus-25032020<\/a>&gt;. Acesso em &lt;23.03.2020&gt;<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">DUARTE, \u00cdcaro de Souza. O reconhecimento do direito de informa\u00e7\u00e3o na negocia\u00e7\u00e3o coletiva como decorr\u00eancia da aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio do da boa-f\u00e9 objetiva. Dispon\u00edvel em &lt; <a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/repositorio.ufba.br\/ri\/handle\/ri\/10769\">https:\/\/repositorio.ufba.br\/ri\/handle\/ri\/10769<\/a>&gt;. Acesso em &lt;26.04.2020&gt;<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">FALC\u00c3O, Alcino Pinto. Coment\u00e1rios ao inciso XIV do artigo 5\u00ba. da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Federativa do Brasil. <em>In <\/em>CUNHA, Fernando Whitaker da <em>et al<\/em>. <strong>Coment\u00e1rios \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o. <\/strong>Rio de Janeiro: Freitas Barros, 1990. vol. 1.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">FERREIRA, Aur\u00e9lio Buarque de Holanda. <strong>Novo Aur\u00e9lio S\u00e9culo XXI:<\/strong> o dicion\u00e1rio da linguagem portuguesa. 3. ed. rev. ampl. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">FREIRE, Vin\u00edcius Torres. Relatos da Peste. <strong>Jornal Folha de S\u00e3o Paulo<\/strong>, caderno ilustr\u00edssima, 22.03.2020.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">GUNTHER, Luiz Eduardo. <strong>A OIT e o Direito do Trabalho no Brasil.<\/strong> Curitiba: Juru\u00e1, 2013.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">HARARI, Yuval Noah. <strong>21 li\u00e7\u00f5es para s\u00e9culo 21<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o Paulo Geiger. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2018.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">L\u00c9VY, Pierre. <strong>A intelig\u00eancia coletiva.<\/strong> Luiz Paulo Rouanet. S\u00e3o Paulo: Folha de S\u00e3o Paulo, 2015.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">MAQUIAVEL, Nicolau. <strong>O Pr\u00edncipe.<\/strong> Tradu\u00e7\u00e3o de L\u00edvio Xavier. Da obra coletiva Os Pensadores. S\u00e3o Paulo: Nova Cultural, 1996.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">MIRANDA, Pontes de. <strong>Democracia, liberdade, igualdade:<\/strong> os tr\u00eas caminhos. 2. ed. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 1979.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">OMS declara pandemia e pede a\u00e7\u00f5es mais agressivas contra o coronav\u00edrus. Jornal <strong>Folha de S\u00e3o Paulo<\/strong>, 12.03.2020.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">OUTHWAITE, William; BOTTOMORE, Thomas. <strong>Dicion\u00e1rio do pensamento social do s\u00e9culo XX. <\/strong>Tradu\u00e7\u00e3o de Eduardo Francisco Alves e \u00c1lvaro Cabral. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. Editor, 1996.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">PASSOS, Paulo. Entrevista Gabriela Zanfir-Fortuna. Jornal<strong> Folha de S\u00e3o Paulo<\/strong>, de 19.04.2020.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">POPCORN, Faith; HANFT, Adam. <strong>O dicion\u00e1rio do futuro:<\/strong> as tend\u00eancias e express\u00f5es que definir\u00e3o o nosso comportamento. Tradu\u00e7\u00e3o de Maurette Brandt. Rio de Janeiro: Campus, 2002.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">RAMOS, Andr\u00e9 de Carvalho. <strong>Curso de Direitos Humanos. <\/strong>6. ed. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2019.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">Revista VEJA. S\u00e3o Paulo: Editora Abril, 2020. Edi\u00e7\u00e3o n. 2.683, ano 53, n. 17, de 22.04.2020.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">RODOT\u00c1, Stefano. <strong>A vida na sociedade da vigil\u00e2ncia: <\/strong>a privacidade hoje. Organiza\u00e7\u00e3o, edi\u00e7\u00e3o e apresenta\u00e7\u00e3o de Maria Celina Brodinde Morais.Tradu\u00e7\u00e3o Danilo Doneda e Luciana Cabral Donena. Rio de Janeiro: Renovar, 2008.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">SANTOS, M\u00e1rio Ferreira dos. <strong>Dicion\u00e1rio de Filosofia e Ci\u00eancias Culturais.<\/strong> S\u00e3o Paulo: Editora Matese, 1963. v. 3.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">SARLET, Ingo Wolfgang; MOLINARO, Carlos Alberto. Direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e direito de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o como direitos fundamentais na Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira. <strong>Revista da AGU<\/strong>, Bras\u00edlia \u2013 DF, ano XII, n. 42, p. 9-38, out\/dez. 2014.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">SAWAYA, M\u00e1rcia Regina. <strong>Dicion\u00e1rio de inform\u00e1tica e internet. <\/strong>3. ed. S\u00e3o Paulo: Nobel, 1999.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">SCAL\u00c9RCIO, Marcos; MINTO, T\u00falio Martinez. <strong>Normas da OIT Organizadas por temas<\/strong>. S\u00e3o Paulo: LTr, 2016.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">SERVAIS, Jean-Michel. Decretho Internacional del Trabajo. Buenos Aires, Heliasta, 2011.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">SILVA, Jos\u00e9 Afonso da. <strong>Curso de Direito Constitucional Positivo<\/strong>. 6. ed. rev. e ampl. S\u00e3o Paulo: RT, 1990.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">STEINMETZ, Wilson. Coment\u00e1rios ao art. 5., XIV, da Constitui\u00e7\u00e3o. <em>In<\/em>: CANOTILHO, J. J. Gomes <em>et al<\/em> (Coords). <strong>Coment\u00e1rios \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o do Brasil.<\/strong> S\u00e3o Paulo: Saraiva\/Almedina, 2013.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">TEIXEIRA FILHO, Jo\u00e3o de Lima. Negocia\u00e7\u00e3o coletiva de trabalho. <em>In <\/em>S\u00dcSSEKIND, Arnaldo et al. <strong>Institui\u00e7\u00f5es de Direito do Trabalho<\/strong>. 21. ed. atual. S\u00e3o Paulo: LTr, 2003. p. 1166-1205.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\">VILAPIANA, T\u00e1bata. D\u00f3ria \u00e9 questionado na justi\u00e7a por monitoramento de celulares no Estado. CONJUR- Consultor Jur\u00eddico, de 14.04.2020.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Revista VEJA. S\u00e3o Paulo: Editora Abril, 2020. Edi\u00e7\u00e3o n. 2.683, ano 53, n. 17, de 22.04.2020, p. 97.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> FREIRE, Vin\u00edcius Torres. Relatos da Peste. <strong>Jornal Folha de S\u00e3o Paulo<\/strong>, caderno ilustr\u00edssima, 22.03.2020, p. 5.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> FREIRE, Vinicius Torres. <em>Idem, ibidem.<\/em><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> FREIRE, Vinicius Torres. <em>Idem, ibidem.<\/em><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> OMS declara pandemia e pede a\u00e7\u00f5es mais agressivas contra o coronav\u00edrus. Jornal <strong>Folha de S\u00e3o Paulo<\/strong>, 12.03.2020, p. B1.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> SANTOS, M\u00e1rio Ferreira dos. <strong>Dicion\u00e1rio de Filosofia e Ci\u00eancias Culturais.<\/strong> S\u00e3o Paulo: Editora Matese, 1963. v. 3, p. 794.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> BUNGE, Mario. <strong>Dicion\u00e1rio da Filosofia.<\/strong> Tradu\u00e7\u00e3o Gita K. Guinsburg. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 2002. p. 197-198.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> SAWAYA, M\u00e1rcia Regina. <strong>Dicion\u00e1rio de inform\u00e1tica e internet. <\/strong>3. ed. S\u00e3o Paulo: Nobel, 1999. p. 230.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> POPCORN, Faith; HANFT, Adam. <strong>O dicion\u00e1rio do futuro:<\/strong> as tend\u00eancias e express\u00f5es que definir\u00e3o o nosso comportamento. Tradu\u00e7\u00e3o de Maurette Brandt. Rio de Janeiro: Campus, 2002. p. 384.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> OUTHWAITE, William; BOTTOMORE, Thomas. <strong>Dicion\u00e1rio do pensamento social do s\u00e9culo XX. <\/strong>Tradu\u00e7\u00e3o de Eduardo Francisco Alves e \u00c1lvaro Cabral. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. Editor, 1996. p. 385.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> FERREIRA, Aur\u00e9lio Buarque de Holanda. <strong>Novo Aur\u00e9lio S\u00e9culo XXI:<\/strong> o dicion\u00e1rio da linguagem portuguesa. 3. ed. rev. ampl. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. p. 1.109.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> CASTELLS, Manuel. <strong>A Sociedade em Rede<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o Roneide Venancio Majer. S\u00e3o Paulo: Paz e Terra, 1999. p. 57-58.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> MAQUIAVEL, Nicolau. <strong>O Pr\u00edncipe.<\/strong> Tradu\u00e7\u00e3o de L\u00edvio Xavier. Da obra coletiva Os Pensadores. S\u00e3o Paulo: Nova Cultural, 1996. p. 40-41.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> MIRANDA, Pontes de. <strong>Democracia, liberdade, igualdade:<\/strong> os tr\u00eas caminhos. 2. ed. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 1979. p. 348.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> FALC\u00c3O, Alcino Pinto. Coment\u00e1rios ao inciso XIV do artigo 5\u00ba. da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Federativa do Brasil. <em>In <\/em>CUNHA, Fernando Whitaker da et al. <strong>Coment\u00e1rios \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o. <\/strong>Rio de Janeiro: Freitas Barros, 1990. vol. 1. p. 201.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> FALC\u00c3O, Alcino Pinto. <em>Idem, ibidem.<\/em><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> CANOTILHO, J. J. Gomes; MOREIRA, Vital. <strong>Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica portuguesa Anotada. <\/strong>2. ed. rev. ampl. Coimbra: Coimbra Editora, 1984. v.1, p. 232.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> CANOTILHO, J. J. Gomes; MOREIRA, Vital. Ob. cit., p. 236.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> CANOTILHO, J. J. Gomes; MOREIRA, Vital. <em>Idem<\/em>, p. 234.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> CANOTILHO, J. J. Gomes; MOREIRA, Vital. <em>Idem, ibidem. <\/em><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> SILVA, Jos\u00e9 Afonso da. <strong>Curso de Direito Constitucional Positivo<\/strong>. 6. ed. rev. e ampl. S\u00e3o Paulo: RT, 1990. p. 217-218.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> SILVA, Jos\u00e9 Afonso da. <em>Ob. Cit.<\/em>, p. 218.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> STEINMETZ, Wilson. Coment\u00e1rios ao art. 5., XIV, da Constitui\u00e7\u00e3o. <em>In<\/em>: CANOTILHO, J.J. Gomes et al (Coords). <strong>\u00a0Coment\u00e1rios \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o do Brasil.<\/strong> S\u00e3o Paulo: Saraiva\/Almedina, 2013. p. 301.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> STEINMETZ, Wilson. <em>Idem, ibidem.<\/em><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> SARLET, Ingo Wolfgang; MOLINARO, Carlos Alberto. Direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e direito de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o como direitos fundamentais na Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira. <strong>Revista da AGU<\/strong>, Bras\u00edlia \u2013 DF, ano XII, n. 42, p. 9-38, out\/dez. 2014. p. 17.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> SARLET, Ingo Wolfgang; MOLINARO, Carlos Alberto. <em>Idem, ibidem.<\/em><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a> TEIXEIRA FILHO, Jo\u00e3o de Lima. Negocia\u00e7\u00e3o coletiva de trabalho. <em>In <\/em>S\u00dcSSEKIND, Arnaldo et al. <strong>Institui\u00e7\u00f5es de Direito do Trabalho<\/strong>. 21. ed. atual. S\u00e3o Paulo: LTr, 2003. (p. 1.166-1.205), p. 1.185.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a> TEIXEIRA FILHO, Jo\u00e3o de Lima. <em>Idem, ibidem.<\/em><\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a> BERNARDES, Hugo Gueiros. Princ\u00edpios da negocia\u00e7\u00e3o coletiva. <em>In <\/em>TEIXEIRA FILHO, Jo\u00e3o de Lima (Coord.). <strong>Rela\u00e7\u00f5es coletivas de trabalho<\/strong>: estudos em homenagem ao Ministro Arnaldo S\u00fcssekind. S\u00e3o Paulo: LTR, 1989. (p. 357-370). p. 361-362.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\">[30]<\/a> TEIXEIRA FILHO, Jo\u00e3o de Lima. <em>Ob. cit., <\/em>p. 1.185-1.186.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\">[31]<\/a> SCAL\u00c9RCIO, Marcos; MINTO, T\u00falio Martinez. <strong>Normas da OIT Organizadas por temas<\/strong>. S\u00e3o Paulo: LTr, 2016. p. 377-378.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn32\">[32]<\/a> TEIXEIRA FILHO, Jo\u00e3o de Lima. <em>Ob. cit. <\/em>p. 1186<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref33\" name=\"_ftn33\">[33]<\/a> GUNTHER, Luiz Eduardo. <strong>A OIT e o Direito do Trabalho no Brasil.<\/strong> Curitiba: Juru\u00e1, 2013. p. 184-190<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref34\" name=\"_ftn34\">[34]<\/a> SERVAIS, Jean-Michel. Decretho Internacional del Trabajo. Buenos Aires, Heliasta, 2011. p. 124<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref35\" name=\"_ftn35\">[35]<\/a> DUARTE, \u00cdcaro de Souza. O reconhecimento do direito de informa\u00e7\u00e3o na negocia\u00e7\u00e3o coletiva como decorr\u00eancia da aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio do da boa-f\u00e9 objetiva. Dispon\u00edvel em &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/repositorio.ufba.br\/ri\/handle\/ri\/10769\">https:\/\/repositorio.ufba.br\/ri\/handle\/ri\/10769<\/a>&gt;. Acesso em 24.04.2020&gt;.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref36\" name=\"_ftn36\">[36]<\/a> DUARTE, \u00cdcaro de Souza. <em>Idem, ibidem.<\/em> p. 208.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref37\" name=\"_ftn37\">[37]<\/a> DUARTE, \u00cdcaro de Souza. <em>Idem, ibidem.<\/em> p. 209-210.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref38\" name=\"_ftn38\">[38]<\/a> RAMOS, Andr\u00e9 de Carvalho. <strong>Curso de Direitos Humanos. <\/strong>6. ed. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2019. p. 718.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref39\" name=\"_ftn39\">[39]<\/a> HARARI, Yuval Noah. <strong>21 li\u00e7\u00f5es para s\u00e9culo 21<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o Paulo Geiger. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2018. p. 105-107.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref40\" name=\"_ftn40\">[40]<\/a> RODOT\u00c1, Stefano. <strong>A vida na sociedade da vigil\u00e2ncia: <\/strong>a privacidade hoje. Organiza\u00e7\u00e3o, sele\u00e7\u00e3o e apresenta\u00e7\u00e3o de Maria Celina Brodin de Moraes. Tradu\u00e7\u00e3o Danilo Doneda e Luciana Cabral Doneda. Rio de Janeiro: Renovar, 2008. p. 19<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref41\" name=\"_ftn41\">[41]<\/a> L\u00c9VY, Pierre. <strong>A intelig\u00eancia coletiva.<\/strong> Tradu\u00e7\u00e3o de Luiz Paulo Rouanet. S\u00e3o Paulo: Folha de S\u00e3o Paulo, 2015. p. 49-51.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref42\" name=\"_ftn42\">[42]<\/a> BAUMAN, Zygmunt. <strong>Vigil\u00e2ncia l\u00edquida.<\/strong> Tradu\u00e7\u00e3o Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2013. p. 120-121.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref43\" name=\"_ftn43\">[43]<\/a> RODOT\u00c1, Stefano. <em>Ob. cit.<\/em>, p. 80-92.<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref44\" name=\"_ftn44\">[44]<\/a> DONEDA, Danilo. A prote\u00e7\u00e3o de dados em tempo de coronav\u00edrus. Revista Eletr\u00f4nica <strong>JOTA<\/strong>, de 25.03.2020. Dispon\u00edvel em &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.jota.info\/opiniao-e-analise\/artigos\/a-protecao-de-dados-em-tempos-de-coronavirus-25032020\">https:\/\/www.jota.info\/opiniao-e-analise\/artigos\/a-protecao-de-dados-em-tempos-de-coronavirus-25032020<\/a>&gt;. Acesso em &lt;23.03.2020&gt;<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref45\" name=\"_ftn45\">[45]<\/a> PASSOS, Paulo. Entrevista Gabriela Zanfir-Fortuna. Jornal<strong> Folha de S\u00e3o Paulo<\/strong>, de 19.04.2020, p. A-14<\/span><\/p><p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref46\" name=\"_ftn46\">[46]<\/a> BARONE, Isabelle; DESIDERI, Leonardo. Estados usam dados de celulares para monitorar aglomera\u00e7\u00f5es. Eles podem fazer isso? <strong>Gazeta do Povo<\/strong>, 13.04.2020. E tamb\u00e9m VILAPIANA, T\u00e1bata, D\u00f3ria \u00e9 questionado na justi\u00e7a por monitoramento de celulares no Estado. <strong>CONJUR<\/strong>&#8211; Consultor Jur\u00eddico, de 14.04.2020.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Eduardo Gunther Marco Ant\u00f4nio C\u00e9sar Villatore Andr\u00e9 Jobim de Azevedo 1 Introdu\u00e7\u00e3o Estamos no meio de um furac\u00e3o. O ano de 2020 se iniciou com grandes preocupa\u00e7\u00f5es relativamente ao v\u00edrus que vinha da China. Em pouco tempo espalhou-se pela Europa, Estados Unidos, tantos outros pa\u00edses e, finalmente, pelo Brasil. H\u00e1 uma contagem di\u00e1ria de &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/faracodeazevedo.com.br\/index.php\/2022\/02\/25\/direito-fundamental-a-informacao-em-tempos-de-coronavirus\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;DIREITO FUNDAMENTAL \u00c0 INFORMA\u00c7\u00c3O EM TEMPOS DE CORONAV\u00cdRUS&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-10282","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/faracodeazevedo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10282","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/faracodeazevedo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/faracodeazevedo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/faracodeazevedo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/faracodeazevedo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10282"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/faracodeazevedo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10282\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10287,"href":"https:\/\/faracodeazevedo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10282\/revisions\/10287"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/faracodeazevedo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10282"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/faracodeazevedo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10282"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/faracodeazevedo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10282"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}